audEo 0405



Philippe de Sousa
Boîte à Petits...
CD
audEo 0405
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Philippe de Sousa - guitarras portuguesa, clássica e fretless, cavaquinho, contrabaixo, xilofone
Eric Vinagre - violino

Talvez ainda não se falasse disso há meio século mas o mundo era já uma grande aldeia... Se qualquer amigo meu nascido nos sixties me citasse os Beatles, Françoise Hardy, Amália, Gismonti, Piazzolla ou mesmo Kusturica, afirmando que estas eram as suas referências culturais, jurando que tinham deixado marcas indeléveis nas suas raízes musicais, eu não acharia isso nada de extraordinário. (...) Esta "Boîte à Petits..." de Philippe de Sousa é assim, quero dizer, é daquelas coisas que nos tocam nos nervos adormecidos. (...) É um disco de tentações e aventuras, percussões e guitarras, muitas; é um disco de música popular, não de um, mas de vários povos a poderem clamá-lo como seu; é um disco de um porto seguro, a guitarra portuguesa. (...) "Boîte à Petits..." — o tema que abre e encerra esta caixinha de surpresas — é um verdadeiro mimo, quase de sabor arqueológico, melhor, de regresso em tarde de chuva ao sótão dos brinquedos. (...) As suas imagens perduram e, lentamente, insinuam-se na memória. E um belo dia damos por nós sentados no autocarro a divagar pela janela e a trautear uma coisa... conheço tão bem... Como dizia Valéry, "não retive nem o melhor nem o pior dessas coisas: ficou como pôde." E isso é muito bom. > João Paz

Mondo Bizarre: De tanto labor resulta, como seria de esperar, uma tapeçaria muito pessoal. Felizmente a sensibilidade do músico investe as melodias de um apelo global, algures entre melancolia comedida e uma inocência feliz. Repleta de floreados bonitos como já não se usam, entre uma aura erudita e um apego popular, esta música é refinada e descomprometida, para brincar nas nuvens. > Nuno O. Catarino
O Primeiro de Janeiro: Com o mesmo enternecimento, Philippe acolhe a saudade chorosa do fado tradicional, a cadência do corridinho algarvio, a sedução temperada do tango, o embalo melancólico das canciones de cuna, as mágoas e pesares da América Latina, o floreio estético do klezmer, os aromas do folclore dos Balcãs, o arrojo experimental do jazz e a amplitude sonora da música de câmara. > A.C.
ReR Megacorp: Pieces for Portuguese guitar, classical guitar, fretless guitar, contrabasse, xylophone, and percussion, with occasional violin. All played by de Sousa (except violin), always overdubbed in small string orchestras, sometimes piled up like a zither. An excellent, deeply musical record, tuneful and exquisitely played. > Chris Cutler

audEo 0399



Ernesto Rodrigues, Jorge Valente
Self Eater And Drinker
CD audEo 0399

Ernesto Rodrigues - violino, violino preparado, processador de sinal
Jorge Valente - sintetizador, computador

O duo formado por Ernesto Rodrigues e Jorge Valente já se chamou Orquestra Vermelha. As razões que os levaram a escolher esse nome — recorde-se que se designava assim a rede de espionagem implantada pelos serviços secretos soviéticos no III Reich — são compreensíveis, tanto quanto as que os levaram a mudar de ideias. Tem uma clara feição orquestral, a abordagem da electroacústica feita por estes dois improvisadores que prosseguem a tradição cageana, fiéis ao princípio de que todo e qualquer som é passível de aproveitamento na criação de música. Graças à "extensão" do violino operada pela electrónica e às polifonias congeminadas pelo Quatur, um programa interactivo com base Max que é alimentado por um sintetizador Yamaha DX7 II, os planos sonoros multiplicam-se, ganhando uma envolvência que podemos apontar como sinfónica. (...) Não estranha, de resto, que os percursos de Ernesto Rodrigues e Jorge Valente passem pela música popular, quando não mesmo tradicional. (...) O estilo violinístico de Ernesto Rodrigues testemunha-o, com a sua dimensão "folk" e uma crueza que é distintiva do violino popular em qualquer parte do Mundo. Quanto a Jorge Valente... Não será verdade que, hoje, o computador é o instrumento popular por excelência? > Rui Eduardo Paes

Jazz Magazine: En duo avec Jorge Valente («"Self Eater And Drinker") au synthétiseur et à l'ordinateur, Ernesto Rodrigues utilise uniquement le violon (préparé ou non, dans une démarche qui doit beaucoup à John Cage). L'interaction des sonorités acoustiques et électriques brosse un tableau intrigant au sein duquel l'élément de surprise vient continuellement brouiller les séquences répétitives. > Thierry Quénum
Jornal de Letras: O CD que coloca finalmente em primeiro plano dois dos músicos nacionais que há mais tempo circulam nos meios da improvisação — Jorge Valente, por exemplo, pertenceu a uma das formações dos Plexus de Carlos Zíngaro, nos idos anos 70. José Ernesto Rodrigues participou recentemente em metade de "Projects", de Carlos Bechegas, lançado pela britânica Leo Lab. > Rui Eduardo Paes
Touching Extremes: The alternance between strange waves of hallucinating auras and the spiky hits of the strings mixed with computer processed electronics is the strong point of this record: a total of eight movements flowing without any fatigue and showing everyone that no categorisation is necessary when intelligence is involved. > Massimo Ricci

audEo 0298



Carlos Bechegas
Flute Landscapes
CD audEo 0298


Carlos Bechegas - flauta, voz

Tornou-se lugar-comum dizer-se do jazz como "o som da surpresa". Na multiplicidade das linguagens de hoje, a música improvisada, mais que o free jazz, é campo onde este efeito poderá surgir com maior incidência. A obra de Carlos Bechegas é disso exemplificativa: surpreende pelo discurso "anormal" conferido à flauta, imprevisível, em que o fluído melódico observará tão-somente centros tonais, tempo variável, diversidade de moods, timbre, intensidade. A audição de "Flute Landscapes" evidencia, para além de técnicas e processos utilizados na "música erudita" e no jazz — e aqui seria de citar James Newton em efeitos acústicos, na vocalização ou sopro contínuo, — o trabalho experimental, de pesquisa e bem sucedida inovação instrumental e composicional. Carlos Bechegas reconhece a influência que Evan Parker ou Derek Bailey, talvez mais do que Lacy ou Kowald, exerceram na sua prática, e com que se identificará na linguagem estruturada, conceptual, duma menor espontaneidade, duma relegada essencialidade do swing ou blues intonation de muitos freejazzers. Assim se afirma hoje como um dos mais conceituados improvisadores da "cena" portuguesa. > Manuel Guimarães

All Music: This solo opus shows the musician more daring, constantly pushing the limits of his art. The 28 short pieces represent as many possibilities of extended expression on the flute... Recommended. > François Couture
Diário de Notícias: Adepto de uma constante fuga aos centros tonais, utilizando uma multiplicidade de técnicas de embocadura, bem como a própria sonoridade do "sopro branco" e do tubo de ressonância e assim extraindo da flauta uma ampla paleta tímbrica, o flautista não apenas se afirma próximo de Evan Parker (pelos efeitos "polifónicos" e de respiração circular em "Multi Effects" ou nos dois "E. Parker — Soft e Tense"), como consegue evocar na flauta, de forma surpreendente, a técnica de harmónicos assimétricos de um guitarrista como Derek Bailey. > Manuel Jorge Veloso
Improjazz: Excellente qualité quant à l’enregistrement... Carlos ouvre d’autres possibilités techniques par la diversité du souffle, l’utlisation de la voix avec le son (distorsion/accouplement), la multiplicité des effects... Carlos Bechegas fait partie de la génération improvisée et mérite pour cela votre écoute. > Philippe Renaud

audEo 0197



Carlos Zíngaro
Release From Tension
CD audEo 0197

Carlos Zíngaro - violino, guitarra portuguesa, voz, electrónica
David D'A Alves - voz

Num dos mais belos contos de Tennessee Williams, "The Resemblance Between a Violin Case And a Coffin", aquele escritor norte-americano compara um estojo de violino com um pequeno caixão de criança ou de boneca. Referia-se ele, simbolicamente, à efemeridade da beleza, no caso a de um rapaz de 17 anos, Richard, que em menino o narrador via ensaiar escalas com a sua irmã mais velha, vindo mais tarde a saber da sua morte. (...) Por trás de tudo isto há uma só coisa: o medo da morte. Como afirma Daniel Spoerri, artista romeno ligado ao movimento Fluxus, "a cultura é uma obsessão com a morte, porque no fim todos sabemos que vamos morrer". Esse pânico, sublimamo-lo de alguma maneira. Passamos a vida a ignorar a realidade da morte, mas é ela que vamos construindo aos poucos, dia após dia, sem disso nos apercebermos. (...) Seja como for, a música é efémera, tal como a beleza e a vida. (...) Ainda que a música nos fale, inevitavelmente, da morte, a música ouvida em disco sobrevive-lhe, contranatura. É uma forma de vida virtual, "in vitro", e é isso que nos diz "Release From Tension" de Carlos Zíngaro, a primeira obra gótica da música improvisada depois de "Death Ambient" de Ikue Mori, Kato Hideki e Fred Frith. > Rui Eduardo Paes

Jazz Magazine: Servi pour planter un décor en trompe-l'oreille, tour à tour plaisant, sinistre, impénétrable, qui le cerne curieusement quand il s'élance et se diffuse... Rien ne manque ici d'intérêt. > Alexandre Pierrepont
Monitor: Já não era sem tempo... "Release From Tension" marca a estreia editorial da portuense audEo que, aliás, não poderia ter sido mais bem conseguida. > Jorge Saraiva
Público: Pode descortinar-se em "Release From Tension" uma idêntica operação de necrofagia, de dar vida (música, e não som, já que a morte, pelos vistos, pode fazer-se ouvir) ao inanimado, de ornamento de pulsões musicais contraditórias que Zíngaro sublima no atonalismo e no abstracionismo electrónico (ou ritual, como na "raga" de metal de "Open Series"). > Fernando Magalhães

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Alexandre Soares
Vooum
CD audEo fds004

Alexandre Soares - computador, guitarras eléctrica, acústica e sintetizada, sampler, plug-ins

Nasceu no Porto, a 15 de Junho de 1958. Com 22 anos, em 1980, Alexandre Soares funda com Vítor Rua e Toli César Machado o Grupo Novo Rock, GNR. (...) Eu diria que talvez já seja altura, afinal, de reconhecermos que os melhores músicos conotados com as mais notadas vanguardas do início do século XXI tiveram também uma história "pop". (...) Assim se entende que também Alexandre Soares, continuada estrela do pop-rock português dos anos 80 aos dias de hoje, se aventure nos territórios mais experimentais da música em Portugal. (...) "Vooum" surge em 2000 para conduzir-nos por alguma da música menos esperada de Alexandre Soares. Mas, afinal, neste seu segundo disco a solo, Alexandre recorre de novo ao seu instrumento de sempre (a guitarra eléctrica) em ligação ao computador. Idealizada para uma coreografia de Né Barros, apresentada pelo Balleteatro, a música de "Vooum" vive por si própria mostrando paisagens sonoras subtis, atmosferas construídas com ritmos e sons concretos, e, mais que tudo, exponenciando o gosto inventivo e requintado de Alexandre Soares por novas formas de fazer a sua música. > LF

Diário de Notícias: 2º melhor disco nacional do ano. > Marcos Cruz
Margen: Sonidos sampleados, muestras, guitarras acústica y eléctrica, cuyos sonidos son reorganizados por medio del ordenador, sirven para canalizar una música que parte de un rock virtualizado, de carácter repetitivo (patrones rítmicos), haciendo hincapié en ambientalismos. > Rogelio Pereira
Netparque.pt: Este disco recolhe uma faceta tão activa quanto discreta do trabalho do maior criador musical português. Disco heterogéneo, "Vooum" projecta uma singela beleza e uma deslumbrante estranheza. Uma discreta, tardia mas incontornável adenda às listas dos discos do ano. > J.M.L.

audEo fds003



Dis Nasti Dog
Dis Nasti Dog
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Vítor Rua - guitarra de 8 cordas, sampler E-Mu, computador
João Galante - voz, guitarra
Carlota Lagido, Bárbara Lagido, David Miguel - voz
DJ Murka, DJ David Martins - deejaying
Luís San Payo - bateria

Blitz: Vítor Rua, ex-GNR e membro dos Telectu, retoma os registos discográficos com o álbum homónimo do projecto Dis Nasti Dog. Uma "pastiche" caricatural de diversos estereótipos do imaginário rock e do "star system" norte-americano, constituindo um regresso de Vítor Rua a paisagens mais próximas do formato canção.
Margen: Vítor Rua y algunos amigos han contextualizado un trabajo en el que la puesta en escena, los efectos visuales y la música son del todo elocuentes configurando una obra nutrida de recursos expresivos. A mi mente la presencia de Telectu, originada a partir de una línea de música repetitiva que aquí se desarrolla en un concepto rock avant garde. > Rogelio Pereira
Público: Num velho armazém onde já tudo parece ter acontecido, minado de mesas e cadeirões desirmanados, instalaram-se bailarinos, DJs, músicos, artistas plásticos e uma cantora (...). No palco desfilam uma série de personagens, marcadas por este ou aquele figurino. Bárbara Lagido, a "voz" de serviço, no seu vestidinho vermelho de gola bordada; David Miguel, o autor de um "quadro" de consultório de província onde pode ler-se "Dis Nasti Dog", e a sua camisola verde água; João Galante e umas calças levemente étnicas... Todos como se procurassem criar o seu próprio espaço, como se pudessem existir independentemente do outro que ocupa o mesmo sofá, que toca a mesma guitarra, que brinca com o mesmo coelho de peluche. (...) Ao fundo, o baterista Luís San Payo e Vítor Rua, à guitarra, acertam agulhas. (...) Apesar de parecerem encarnar estereótipos, "cada um é um país, exibindo toda a sua carga simbólica, todos os seus fantasmas, mesmo os que mais queria esquecer", diz João Galante. A arte do terrorismo: criticando frontalmente o poderio dos Estados Unidos, Carlota Lagido abandona um dos casulos-esconderijo que se encontram espalhados pelo palco, transformada em América, de estola de plumas e chapéu à cowboy, cantando: "I'm a very nasty queen / The queen of rock'n'roll / I'll fuck the universe / I'll kill all humans." (...) Que ousa "discutir que papel político pode desempenhar a arte, que tipo de terrorismo pode impor". > Lucinda Canelas

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Américo Rodrigues
O Despertar do Funâmbulo
CD audEo fds002

Américo Rodrigues - poesia, voz, vocalizações, kazoo
José Oliveira - percussão
Rodrigo Pinheiro - piano
Gregg Moore - trombone, tuba
Élia Fernandes - harmónio, piano
Nuno Rebelo - guitarra eléctrica, electrónica
José Galissa - kora
Jean-François Lézé - percussões aquáticas, percussão
Patrick Brennan - saxofone alto
Nirankar Khalsa - flauta, percussão, assobio

A história da poesia sonora divide-se entre quem usou a palavra na sua integridade (vejam-se os Futuristas italianos e os Dadaístas) e quem a violou, aniquilando-a e reduzindo-a a pura papa fonética (vejam-se os Futuristas russos e os Letristas, até aos produtos típicos da poesia sonora da era do pós guerra). Ora, o caso de Américo Rodrigues é, sem dúvida, interessante por múltiplas razões. (...) Não estamos perante exemplos de linguagem triturada, ele não tem necessidade de partir da linguagem, não precisa. Neste sentido podemos dizer que amplifica algumas intuições já tidas por Hugo Ball ou Raoul Hausmann, no início do século: o potencial é bucal. (...) A sua procura é canalizada para os extremos de um Jaap Blonk ou de um Nobuo Kubota e para o já feito por um Paul Dutton ou Valeri Scherstianoj. E, deste ponto de vista, está perfeitamente legitimada. É de notar que o seu trabalho tem uma ponta de agressividade que, em nosso entender, é necessária para desenvolver um forte impacto no ouvinte-espectador. Estamos, por fim, felizes que da terra lusitana, através de um trabalho raro de poesia sonora, tenha finalmente nascido um poeta semelhante que desdobra a poesia sonora, de um modo tão puro e tão original, sem suportes electrónicos (como era o caso da vídeo-poesia de Melo e Castro) e sem suportes visuais (como nas performances de Fernando Aguiar). Na verdade Américo Rodrigues entrega-se ao poder da sua garganta, sem truques nem enganos, para encantar, estontear e seduzir o público. > Enzo Minarelli

CiberKiosk: O trabalho de Américo Rodrigues, recusando esgotar-se em fórmulas simples, continua a afirmar-se como trabalho poético, alquimia de cadências onde palavra e voz sempre se cruzam... Em Portugal, Américo Rodrigues ocupa assim um lugar que bem pode e bem merece ser apontado como único. Sem reproduzir fórmulas, antes procurando sempre reinventá-las... > J. Alberto Ferreira
O Interior: Metamorfoses vocais, improvisações musicais, materializações na e pela voz, inquietações poéticas, estilhaços sonoros. De tudo isto e de algo mais é feito o corajoso primeiro disco de poesia sonora editado em Portugal. > Victor Afonso
Rubberneck: If you're used to the feral disturbance of Phil Minton or the in-your-face imagination of Jaap Blonk, then the sound poetry of Américo Rodrigues may seem pretty tame. But immerse yourself in the varied influences from Portuguese, other European or African cultures and the way he plays with the sound of language. > Gus Garside

edições esgotadas

Encontram-se esgotadas (e descatalogadas) as seguintes edições:

audEo fds001 - Vitorino Almeida Ventura - Memórias de Ansiães (Vol. 2) - Livro
audEo fds005 - Né Barros, Alexandre Soares, Filipe Martins - No Fly Zone - DVD
audEo fds006 - Isabel Barros, Pedro Tudela, Filipe Martins - Là Où Je Dors - DVD
audEo fds007 - Né Barros, Alexandre Soares, Filipe Martins - Vaga - DVD